Muitas vezes ouvimos dizer que
vocação é chamado. Mas o que realmente significa ser chamado?
Em primeiro lugar cabe
lembrar-nos de que quando chamamos alguém, naturalmente afirmamos sua
existência, sua identidade expressa por seu nome. Deus chamou Samuel pelo nome (1
Sm 3,1-10), colocou-se lado a lado com Gedeão (Jz 6,11), dirigiu-se a Jeremias falando-lhe
se sua eterna eleição (Jr 1,4-8), manifestou-se a Isaías, que ouviu Sua voz
clamando por um mensageiro (Is 6,1-8).
Tenho um arquivo antigo de mensagens, mas não conheço os autores ou referências. Caso alguém conheça, por favor, entre em contato comigo dar os devidos créditos.
Contam que na carpintaria houve uma vez uma estranha assembléia. Foi uma reunião das ferramentas para acertar suas diferenças.
O martelo exerceu a presidência, mas os participantes lhe notificaram que teria que renunciar. A causa? Fazia demasiado barulho e, além do mais, passava todo o tempo golpeando.
O martelo aceitou sua culpa, mas pediu que também fosse expulso o parafuso, dizendo que ele dava muitas voltas para conseguir algo. Diante do ataque, o parafuso concordou, mas por sua vez, pediu a expulsão da lixa. Dizia que ela era muito áspera no tratamento com os demais, entrando sempre em atritos. A lixa acatou, com a condição de que se expulsasse o metro, que sempre media os outros segundo a sua medida, como se fora o único perfeito.
Nesse momento entrou o carpinteiro, juntou o material e iniciou o seu trabalho. Utilizou o martelo, a lixa, o metro e o parafuso. Finalmente, a rústica madeira se converteu num fino móvel. Quando a carpintaria ficou novamente só, a assembléia reativou a discussão. Foi então que o serrote tomou a palavra e disse:
"Senhores, ficou demonstrado que temos defeitos, mas o carpinteiro trabalha com nossas qualidades, com nossos pontos valiosos. Assim, não pensemos em nossos pontos fracos, e concentremo-nos em nossos pontos fortes."
A assembléia entendeu que o martelo era forte, o parafuso unia e dava força, a lixa era especial para limar e afinar asperezas, e o metro era preciso e exato.
Sentiram-se então como uma equipe capaz de produzir móveis de qualidade. Sentiram
alegria pela oportunidade de trabalhar juntos.
Ocorre o mesmo com os seres humanos. Basta observar e comprovar. Quando uma pessoa busca defeitos em outra, a situação torna-se tensa e negativa. Ao contrário, quando se busca com sinceridade os pontos fortes dos outros, florescem as melhores conquistas humanas.
É fácil encontrar defeitos. Qualquer um pode fazê-lo. Mas encontrar qualidades, isto é para os sábios.
Na Terra Santa encontramos dois mares bem conhecidos. Embora alimentados pelo mesmo rios Jordão, eles são, no entanto totalmente distinto um do outro.
O mar da Galiléia é de água doce e contém muitos peixes. Seu litoral é salpicado por cidades e aldeias lindas. As colinas que rodeiam o mar são férteis e verdejantes.
O outro mar é o Mar Morto. É célebre pela sua densidade de sais minerais. Não tem peixe e nem os vegetais tem condições de vida. Seus arredores são desertos. Não existe área verde. O mar Morto apresenta um aspecto desolador.
Donde vem esta diferença? A explicação é simples e simbólica. O Mar da Galiléia recebe pelo norte as águas do rio Jordão, com toda a sua carga de vida e fertilidade. Porém não guarda para si esta fertilidade. As águas seguem seu curso rumo para o sul. É um marque recebe a água do Hermon, a das colinas de Golan. Riquíssimo em águas e em vegetação, o mar da Galiléia não vive para si, reparte tudo aquilo que recebe de cima.
No entanto, o Mar Morto é totalmente. Recebe igualmente a água do rio Jordão, mas retém esta água para si. Não possui saída. Enquanto as águas se evaporam , todos os sais minerais em suspensão se acumulam no enorme recipiente fechado. A excessiva saturação é estéril. Não permite vegetação alguma, não tem vida. É um mar que mata. É o Mar Morto.
Existem igualmente duas classes de pessoas. E par começar, encontrarmos pessoas que nada guardam para si mesma, nem seus dons em seus talentos. Colocam tudo à disposição dos outros. Tornam-se assim bem aceitas e são estimadas pelos outros. Tais pessoas são “vivificadoras”. Seu calor humano, sua caridade, sua disponibilidade, e o seu dom de partilhar com os outros irradiam em redor delas confiança, alegria e vida. É gratificante colaborar com estas almas generosas. E tudo isto porque elas possuem a arte de nada conservar para si mesmas. Sabem partilhar os dons que o Senhor lhes concebeu.
Desgraçadamente encontramos pessoas totalmente diferentes. São aquelas que vivem mais para si mesmas. Acumulam, porém somente para si. Sofrem de uma tríplice enfermidade: avidez, ambição e dominação. Ignoram sua enfermidade: porém, a fazem sofrer. E esta doença as leva à morte. Não são simpáticas e nem atraentes. Isolam-se irradiam luz e nem calor humano. Deterioram, pelo contrário, o clima e o ambiente. Tudo o que é vida, desaparece em redor delas. Formam realmente um Mar Morto.
Esta imagem das duas classes de pessoas, expressam bem duas classes de religiosas, nos dias atuais. Cada qual pode encontrar-se nesta parábola, e possivelmente em graus diferentes. Ou somos religiosos e procuramos irradiar nas comunidades vida, amor calor humano, disponibilidade, ou irradiamos amor próprio, egoísmo, isolamento, instalação e então destruímos a fraternidade, a comunidade devida.
Viver em comunidade de Vida é viver em comunhão com os outros. Consiste num relacionamento que permite uma melhor identificação entre todos os membros da Comunidade. E esta comunhão não é só expressa em “formulas” psicológicas, mas também evangélicas. Viver em comunhão com os outros requer, igualmente, um relacionamento interpessoal, isto é, um tratamento pessoal, que respeita o outro como pessoa. Significa ainda uma tentativa de compreensão do mundo do outro, deixando de lado todo egoísmo, que faz do outro um objeto de prazer pessoal e o instrumentaliza para a própria gratificação.
Compete, portanto, a cada religioso se esforçar para se tornar um fecundo e enrequecedor Mar da Galiléia, rico em flores de bondade, de caridade, de alegria, de paz, de fraternidade. Somente assim o Senhor gostará de passear ao longo de suas praias como o fez tantas vezes, para abençoar, frutificar, ensinar, curar, e chamar novos apóstolos. E ainda assim o Senhor acalmará a tempestade que pode ocorrer. Andará sobre as águas para sustentar nossa fraqueza e pouca fé, a nossa falta de fraternidade. Com Ele, e através d’Ele, seremos cada vez melhor religiosos, sinais de fraternidade, do Reino de Deus já acontecido. E deixaremos de ser ou parecer um ... Mar Morto.
Ouvindo uma antiga parábola. Deve ser muito velha mesmo, pois naquela época Deus costumava morar na Terra:
“Um dia, um velho fazendeiro veio a Deus e disse-lhe:
- Olha, você pode ter criado o mundo, mas preciso lhe dizer uma coisa. Você não é fazendeiro. Não sabe nem o bê-a-bá da agricultura. Você tem muito o que aprender.
-Ao que Deus respondeu:
-O que você sugere?
-Dê-me um ano e permita que as coisas sejam de acordo com a minha vontade. E veja o que acontecerá: não haverá mais pobreza!
-Deus concordou e um ano foi dado ao fazendeiro.
-Naturalmente, ele pedia e pensava somente no melhor. Nada de trovões, de ventos fortes, nenhum perigo para a safra. Tudo confortável, aconchegante. O fazendeiro estava muito feliz.
-O trigo crescia tanto! Quando queria sol, havia sol. Quando queria chuva, havia chuva, o tanto que quisesse. Nesse ano, tudo estava certo. Matematicamente preciso.
O trigo estava crescendo muito. O fazendeiro procurava deus e dizia:
-Olhe! Desta vez a safra será tão grande que, por 10 anos, mesmo que as pessoas não trabalhem, haverá comida suficiente!
Mas quando fizeram a colheita, não havia grãos.
O fazendeiro ficou surpreso e perguntou a Deus;
-O que aconteceu? O que saiu errado? E Deus respondeu-lhe:
-Por não existir desafio, conflito, fricção, já que você evitou tudo de ruim, o trigo permaneceu impotente. Um pequeno atrito é uma necessidade. As tempestades, os trovões e os raios são necessários. Eles agitam a alma dentro do trigo”. (Osho)
É, nada é fácil! Há momentos em que daríamos tudo por uma chance de pedir a Deus, para não corrermos riscos. Mas o risco é necessário. É importante poder enfrentar as dificuldades, o desconhecimento e o incerto. Percebemos que algumas pessoas fazem opção pelo porto seguro das certezas, mas outros acolhem a alma agitada e constróem o novo.
Mas como enfrentar essas turbulências? O auto conhecimento, a vontade de crescer, evoluir e progredir são decisivos. A sensibilidade, a criatividade e a ética são nossos maiores aliados. É preciso também termos paciência, pois uma boa colheita necessita de tempo e espera. Necessita também de tempestades, trovões e raios. Afinal, eles agitam a alma dentro do trigo”.
Numa pequena casa de bairro, um homem cuidava se sua horta no fundo do quintal.
Enquanto o filho ia para a escola, ele todos os dias, com o mesmo carinho, se dedicava ao seu canteiro de couve, alface e outras verduras lindas e verdinhas.
Chega o filho da escola, troca seu uniforme, pega o balde e corre em direção horta gritando eufórico avisando de sua chegada. O pai fica contente de ver o filho se aproximando com o balde, não só pelo fato da grande ajuda de que o filho lhe dá, mas também pela oportunidade de poder bater um “papo”. Entre uma conversa e outra, o filho conta sobre os fatos na escola.
- Pai o Senhor não sabe o que me contaram a respeito do Chiquinho...
- Espere um pouco. O que vai me contar já passou pelas três peneiras de que lhe falei na semana passada?
( interrompeu o pai .)
-Bem, não tenho muita certeza - disse 0 garoto um pouco embaraçado.
-Vamos a primeira: a peneira da verdade. Você tem certeza quer o fato é absolutamente verdadeiro?
-Eu não sei. Só sei o que me contaram.
-Então se não tem certeza, sua história já vazou pelos furos da primeira peneira. Vejamos a segunda: a peneira da bondade. É alguma coisa que gostaria que os outros dissessem a seu respeito?
-Claro que não!
-A história acaba de escoar pela segunda. Vamos a terceira peneira: a peneira da necessidade. Você acha que é necessário passar adiante esta história sobre o Chiquinho?
-Não, papai. O senhor tem razão. Eu imaginava que, passando pelas três peneiras não haveria de sobrar nada dessa história. Com a sua ajuda vou procurar não mais me esquecer disso quando tiver que me referir a outras pessoas.
O cheiro da comida e o estômago vazio avisa que já está na hora do almoço. Pai e filho caminham em direção à humilde casa.
PESSOAS SÃO UM PRESENTE
“Pessoas são um presente. algumas vêm em embrulho bonito, como os presentes de Natal, Páscoa ou festa de aniversário. Outras vêm em embalagem comum. Há as que ficaram machucadas no Correio...
De vez em quando chega uma REGISTRADA, são os presentes valiosos.
Algumas pessoas trazem invólucros fáceis. De outras, é dificílimo, quando não impossível, tirar a embalagem. É fita durex que não acaba mais...
Mas... a embalagem não é presente. E tantas pessoas se enganam, confundindo a embalagem com o presente.
Por que será que alguns presentes são tão complicados para a gente abrir? Talvez porque dentro da bonita embalagem haja muito pouco valor, e bastante vazio, bastante solidão. A decepção seria grande. Também você amigo. Também nós, somos um presente para os outros. Você para nós. Nós para você.
Triste, se formos apenas um presente-embalagem: muito bem empacotados e quase sem nada lá dentro!
Quando existe verdadeiro Encontro com Alguém, no diálogo, na abertura, na fraternidade, deixamos de ser mera embalagem e passamos à categoria de reais presentes.
Nos verdadeiros encontros de fraternidade, acontece alguma coisa muito comovente e essencial: mutuamente nos vamos desembrulhando, desempacotando, revelando.
Você já experimentou essa imensa alegria da vida? A alegria profunda que nasce do recôndito de uma alma, quando duas pessoas se encontram, se comunicam, virando presente uma para outra?
Conteúdo interno é o segredo para quem deseja tornar-se PRESENTE aos irmãos de estrada e não apenas EMBALAGEM...
A verdadeira alegria, que a gente sente e não consegue descrever só nasce no verdadeiro ENCONTRO COM ALGUÉM!